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Redação Gamersfera
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Jogadores deveriam torcer pela ação holandesa contra a Sony, mesmo que seja desajeitada

Uma entidade de defesa do consumidor holandesa pede até €435 milhões à Sony por causa dos preços da PlayStation Store, num teste real para saber se lojas fechadas de consoles são monopólios.

Publicado
24 de outubro de 2026
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Foto: PlayStation / sala de prensa (uso editorial)

Se o único lugar do planeta para comprar um jogo de PlayStation em formato digital é a PlayStation Store, com quem exatamente a Sony compete quando define o preço? Essa pergunta está no centro de uma ação judicial holandesa, e achamos que ela merece uma resposta de verdade de um tribunal.

Aqui vai a versão resumida. A fundação holandesa de defesa do consumidor Stichting Massaschade & Consument (SM&C) está processando a Sony em nome de cerca de 1,7 milhão de donos de PlayStation nos Países Baixos. Segundo a cobertura do Stop Killing Games no GamesReviews, ela pede até €435 milhões, que chama de "Sony Tax". Esse valor parte do princípio de que a Sony deveria ter cobrado uma comissão de 12% em vez dos 30% que a ação alega. A fundação também afirma que os jogos digitais custam em média 47% mais que as cópias físicas. A Sony não foi considerada responsável, e o tribunal não decidiu sobre o mérito.

Então a Sony anunciou que deixará de produzir discos de jogos novos a partir de janeiro de 2028. Na nossa visão, isso transformou uma disputa holandesa de nicho num ponto de combustão.

O disco era a única checagem de preço, e a Sony está eliminando isso

As fabricantes de consoles em grande parte escaparam do escrutínio antitruste que Apple e Google enfrentam por suas lojas de aplicativos. Como observa o Yahoo Tech, isso se devia principalmente ao mercado de segunda mão. Diríamos que um disco usado, uma venda no varejo ou um desconto na prateleira mantinham a loja digital honesta, sem alarde.

Tire isso e o argumento fica incomodamente simples. A presidente da SM&C, Lucia Melcherts, resumiu assim: "Sem discos, não há mercado de segunda mão nem alternativa à PlayStation Store, então a partir de 2028 só a Sony decide quanto custa um jogo..." Pense o que quiser da conta da fundação: essa frase descreve uma estrutura de mercado, não uma impressão. Na nossa opinião, a decisão da Sony sobre os discos ajudou mais os autores da ação do que qualquer petição deles.

O número de €435 milhões é mais frágil que o princípio

É preciso cautela. O valor de manchete depende de um cenário hipotético: que um mercado competitivo teria gerado uma comissão de 12%. Isso é uma suposição de modelo, não um fato, e esperamos que a Sony o conteste. Os veículos também relatam o pedido de formas diferentes (€400 milhões, €435 milhões, US$ 457 milhões), o que nos diz que o número funciona tanto como enquadramento quanto como medição.

O quadro processual também é inicial. Uma audiência em 29 de junho tratou de jurisdição, lei aplicável e se a fundação pode sequer representar o grupo. As duas partes tinham até 21 de outubro para responder a decisões da Suprema Corte holandesa antes de uma decisão provisória. Falta muito para qualquer pagamento, então o leitor que pergunta "quanto vou receber?" precisa ouvir com clareza: possivelmente nada, e não tão cedo. O próprio site da SM&C diz que, se não ganhar, você não paga.

A força do caso não está no cheque, e sim no precedente. Até a análise do Tech Insider admite que uma condenação desse tamanho não seria existencial para a Sony. Uma decisão que force mudanças no acesso à loja ou nos preços teria consequências muito maiores.

Ser desajeitada não é problema: essa briga é maior que um país

O caso holandês não está sozinho. Há uma ação no Reino Unido sobre a comissão de 30% da Sony, que foi a julgamento em Londres em março de 2026, e outra ação britânica contra a Valve por causa da Steam. Parlamentares mexicanos também anunciaram uma denúncia à sua comissão antitruste. Quando tantas jurisdições cutucam a mesma estrutura, deixa de parecer uma peculiaridade de um único sistema jurídico.

Há objeções reais. Uma ação coletiva pode se arrastar por anos, parte de qualquer indenização cobre custos, e o resultado mais provável para um jogador é um cheque pequeno ou nenhum. Também admitimos que abrir o PlayStation a lojas de terceiros traz riscos de segurança e curadoria que ninguém respondeu por completo.

Mas os jogadores de PC já convivem com Steam, Epic Games Store e outras, e ninguém diz que os jogos para PC desabaram sob o peso da escolha. Se uma loja fechada é defensável, a Sony deveria ter de defendê-la diante de um juiz, ainda mais quando leva os jogos novos para a distribuição somente digital.

Nosso veredito

Torça para dar certo. Não porque €435 milhões vão cair na sua conta, mas porque alguém precisa testar se a dona de uma plataforma pode controlar hardware, loja e preço sem nenhuma checagem externa. Se o tribunal der razão à Sony, pelo menos saberemos as regras. Se der razão aos autores, achamos que toda loja de console terá de começar a justificar sua comissão. Fique de olho na decisão provisória e não espere um reembolso rápido.

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