Death Stranding Isolations só funciona se a Disney+ mantiver o estranhamento
O universo de Kojima chega em 2027 à Disney+ em animação desenhada à mão. O risco não é o formato, e sim transformar um mundo estranho em pano de fundo simpático.
Imagem gerada por IA
Uma história sobre solidão consegue sobreviver sendo vendida para a maior audiência que um serviço de streaming possa encontrar? Essa é a verdadeira pergunta por trás de Death Stranding Isolations, e ela importa mais do que a janela de lançamento.
Aqui está o que sabemos. Segundo o Dark Horizons, a Kojima Productions estreou um teaser e o primeiro pôster de uma série de animação 2D desenhada à mão, que chega com exclusividade à Disney+ em 2027. Ela conta uma história totalmente nova no mesmo universo, separada da narrativa dos jogos. Takayuki Sano dirige, Tow Ubukata escreve, a E&H Production anima, Ilya Kuvshinov cuida do design dos personagens e Hideo Kojima é produtor executivo. O pôster traz um slogan: "Minha mãe virou uma cratera."
O slogan é a melhor notícia de todo o anúncio
Leia essa frase de novo. Ela é sombria, estranhamente específica e um pouco absurda, e é exatamente o registro de Death Stranding. Um departamento de marketing preocupado em suavizar tudo para as famílias não teria começado por ela. Vemos isso como um sinal, não uma garantia, de que o pessoal por trás da série entende o que está adaptando.
Adaptações de jogos costumam falhar de duas maneiras. Algumas copiam o enredo cena a cena e esquecem a sensação. Outras mantêm o nome da marca e trocam a alma por algo mais seguro. Death Stranding é um mau candidato para qualquer uma das duas, porque sua identidade é justamente a sensação: isolamento, rituais estranhos de conexão, um mundo que não se explica. Tire isso e sobra um pós-apocalipse genérico com um logotipo famoso.
Não recontar o jogo foi a decisão mais inteligente
De acordo com a mesma reportagem do Dark Horizons, a série acompanha outros personagens: um velho que busca salvação fora da conexão defendida por Sam Bridges, uma guerreira que quer um mundo de combate constante, um garoto com rancor de Bridges e uma menina que abraça a solidão. Sam atravessa o continente ao fundo.
Acreditamos que é a escolha certa. Um reconto direto obrigaria a série a competir com um jogo cuja força vinha de o jogador fazer a caminhada. Uma história paralela permite que o anime faça a pergunta oposta: e se você não quiser estar conectado? É um contra-argumento genuíno à ideia central dos jogos e dá aos roteiristas espaço para incomodar. Também combina com a animação, em que, na nossa opinião, uma imagem esquisita custa um desenho, e não um orçamento de renderização.
A questão da Disney+ é a que ninguém sabe responder ainda
A plataforma é a incógnita. A Disney+ é um lar de mercado de massa, e lares assim tendem a empurrar para clareza, ritmo e apelo amplo. Ainda não temos evidências de quanta influência isso terá, e seria injusto presumir o pior a partir de um teaser. Mas é o ponto a observar. Obras estranhas sobrevivem quando seus criadores mantêm o controle da estranheza, e o crédito de produtor executivo de Kojima sugere que parte desse controle existe. Um crédito, porém, não é garantia.
Um pouco de contexto ajuda. Adaptações de jogos estão por toda parte: PUBG vai virar uma série da Netflix com Donald Glover escrevendo, dirigindo e estrelando, segundo o Multiplayer.it. Há poucos detalhes e nenhuma janela de lançamento. Isolations, em comparação, já tem voz própria, formato e equipe. Na nossa opinião, isso a torna a aposta mais interessante, mesmo que PUBG tenha o nome maior.
Nosso veredito
Otimismo cauteloso, e sem julgar por um teaser. Os sinais são bons: uma história original, animação desenhada à mão, um slogan com personalidade. O perigo não é a série ser estranha demais, e sim ficar estranha o bastante para ser vendável e nada além disso. Se a série final conseguir deixar o grande público um pouco desconfortável, terá entendido os jogos. Se jogar seguro, será mais uma adaptação com título famoso e nada a dizer. Preferimos que ela arrisque. Até 2027, mantenha as expectativas altas e o pé atrás.
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