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Redação Gamersfera
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Taxa do gigabyte da França pode atingir os jogos por acidente

Uma votação apertada na França pode pôr cerca de €11,55 de imposto sobre o download de GTA VI, a partir de 210 GB reportados. A taxa mira a Netflix, mas trata instalações gigantes como receita.

Publicado
31 de outubro de 2026
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O download de um jogo de 210 GB é um item de luxo? Os parlamentares franceses acabaram de votar como se fosse. Pela aritmética de uma emenda aprovada na sexta-feira, a instalação de GTA VI, no tamanho reportado, teria cerca de €11,55 de imposto. Os alvos declarados são os gigantes do streaming e da nuvem, não as editoras de jogos, e esse é exatamente o problema.

Uma votação magra e com plenário semivazio ainda não é lei

Em 30 de outubro, os deputados franceses aprovaram por 11 votos a 10 uma emenda socialista ao orçamento de 2027, contra a posição do governo. Como informa o Le Figaro, a emenda obriga os produtores de dados a pagar 5,5 centavos de euro por gigabyte entregue a pessoas físicas na França, com os provedores de internet informando os volumes. A casa estava quase vazia, com cerca de trinta deputados presentes.

O ângulo dos jogos vem de uma multiplicação simples. O Techaeris observa que o Numerama calcula que os 210 GB reportados para GTA 6 custariam à editora cerca de €11,55 por download na França. O imposto seria pago pelas empresas, não pelas pessoas, embora elas pudessem repassar o custo aos consumidores. E está longe de virar lei: precisa sobreviver à votação das receitas do orçamento, ao Senado e às negociações entre as duas casas.

Um imposto sobre bytes pune a coisa errada

O alvo declarado são os grandes players de streaming e nuvem. Os deputados apontam Google, Meta, Amazon, Netflix e Akamai como responsáveis por metade do tráfego francês medido. Mas uma taxa sobre volume não quer saber quem você é. Ela quer saber o peso do seu produto, e os jogos modernos estão entre os produtos mais pesados que existem.

É aí que, a nosso ver, o desenho desmorona. Tamanho de arquivo não é lucro, e nem sequer é um bom indicador do custo de infraestrutura. O Techaeris lembra que o trânsito no atacado custa uma fração de centavo por gigabyte, então 5,5 centavos é várias vezes o custo de transportar os dados. Isso não é uma cobrança pelo uso da rede. É um pedágio sobre o tamanho, e um jogo com mapa enorme e recursos em alta resolução seria, na nossa avaliação, cobrado como uma temporada de série em 4K.

Compare com as contas do vídeo. Uma hora de Netflix em 4K tem até 7 GB, cerca de 40 centavos, segundo o Techaeris. Uma instalação de 210 GB equivale a umas 30 horas disso. Um governo que queria taxar lucros de streaming construiu, na nossa opinião, algo que também taxa um hobby cujos produtos são grandes por natureza.

Editoras só digitais e jogadores podem pagar a conta

O ministro do Orçamento, David Amiel, citado pelo Le Figaro, argumenta que metade do imposto, cerca de €5 bilhões nos números dos socialistas, recairia não sobre as big techs, mas sobre provedores de conteúdo menores, inclusive franceses. Achamos que os jogos podem ser um exemplo claro: um estúdio de porte médio que vende apenas em formato digital tem pouca margem para absorver o custo e nenhuma forma de reduzir por decreto uma instalação de 100 GB.

A emenda inclui, sim, um teto de 15% da receita na França ou 2% da receita global. Mas, como diz o Techaeris, isso limita a exposição das maiores plataformas e faz menos pelos demais. E o precedente do imposto sobre serviços digitais de 2019, segundo o Techaeris e o Le Figaro, é que os custos foram ao menos em parte repassados a vendedores, anunciantes e outros provedores. Esperaríamos algo parecido aqui: preços mais altos, esquisitices de preço regional ou menos promoções voltadas à França, em vez de uma absorção educada pelas editoras. Isso é uma previsão, não um fato.

O argumento ambiental, de que cobrar por gigabyte empurra as plataformas para uma compressão melhor, não é absurdo. Instalações mais leves seriam bem-vindas. Mas duvidamos que um imposto que custa mais aos jogadores compre um sistema de atualizações melhor, e os desenvolvedores não conseguem comprimir facilmente uma arte que o público exige em 4K.

Jogadores não precisam entrar em pânico, mas as editoras devem prestar atenção

Há um debate real sobre como as plataformas globais contribuem para os orçamentos nacionais, e uma cobrança por byte tem o mérito, como argumentam seus autores, de se apoiar numa base que não pode ser deslocada. Ainda assim, é a ferramenta errada. Ela penaliza o tamanho, corre o risco de recair sobre emissores menores (o argumento do próprio ministro) e trata os jogos como dano colateral.

A votação foi apertada, o governo é contra e o Senado pode muito bem derrubá-la. Os jogadores não devem entrar em pânico por um preço de €11,55 que ainda não existe. Mas a indústria deve prestar atenção, porque a aritmética agora é pública: uma instalação gigante é um número que qualquer um pode multiplicar. Se este imposto morrer, suspeitamos que virá outra ideia baseada em bytes. Editoras, entidades do setor e plataformas deveriam defender já que jogos não são uma contagem de bytes.

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