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Redação Gamersfera
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Borderlands 4 sem Denuvo: a admissão silenciosa do DRM

A Gearbox tirou o Denuvo de Borderlands 4 mais de um ano após o lançamento, e isso diz muito sobre a verdadeira função do DRM. Jogadores de PC devem cobrar o mesmo de outros jogos.

Publicado
24 de outubro de 2026
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3 min
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Foto: 2K / Steam (uso editorial)

Se o Denuvo fosse essencial para proteger um jogo, uma publicadora algum dia o removeria? A Gearbox acabou de fazer isso, e nem anunciou. Esse silêncio é a parte mais eloquente da história.

Segundo o DSOGaming, Borderlands 4 chegou ao PC em setembro de 2025, e a atualização 1.11 removeu a tecnologia antiadulteração Denuvo mais de um ano depois. As notas do patch, de acordo com o mesmo site, são em sua maioria uma longa lista de correções de áudio, visual, menus e Modo Foto, além de uma opção de AMD FSR no menu de desempenho da Steam para quem joga no Steam Deck. A saída do Denuvo foi notada pelos jogadores, não divulgada pela Gearbox.

O silêncio mostra para que servia o DRM

O argumento está no momento escolhido. Um ano após o lançamento, a maior parte das vendas de um grande jogo já ficou para trás. Remover a proteção agora, sem comunicado, parece um reconhecimento discreto de que o papel do DRM era cobrir a janela de lançamento e nada mais. Essa é a nossa interpretação, não algo que a Gearbox tenha dito. Mas é difícil ler de outro jeito.

Um comentarista do Reddit na comunidade de Borderlands 4 resumiu a versão cínica sem rodeios: o jogo provavelmente está encerrado e não há mais conteúdo que valha proteger. É um palpite de fã, contradito pelas notas da atualização, que abrangem DLCs pagos como Loveless the Hacker e o Story Pack 2. Ainda assim, a lógica de fundo se mantém: quando a urgência comercial passa, a justificativa do DRM passa junto.

Os números de FPS merecem um asterisco, não um desfile

Vai aparecer muita manchete sobre "dezenas de quadros extras". O iXBT.games reproduz o relato de um modder com 70-80 FPS em 1440p nas configurações médias, onde antes o jogo rodava em torno de 50. Mas o mesmo artigo lembra que as notas da 1.11 também citam melhorias de desempenho e estabilidade sem detalhes. Portanto, não dá para creditar tudo ao Denuvo. O tópico do Reddit que vimos também afirma que outros jogos tiveram apenas 1-2% de ganho de CPU após a remoção, uma alegação de fórum não verificada, então encare com cautela.

Nossa opinião: o percentual exato importa menos que o princípio. Quem paga pelo jogo não deveria ter que se perguntar se o software contra piratas está custando quadros. A dúvida em si já é o custo.

Outras publicadoras já mostraram o caminho

A Gearbox não está inovando. O DSOGaming lista Square Enix e Capcom como empresas que removeram o Denuvo de vários títulos de PC, com Resident Evil 4 Remake entre os da Capcom e Final Fantasy 16 entre os da Square Enix. A própria Gearbox o removeu de Homeworld 3 em outubro de 2024. A mesma matéria não espera que a 2K Games faça o mesmo de forma ampla, observando que os NBA 2K anteriores ainda o usam. É a previsão de um único veículo, mas razoável.

Então, onde isso nos deixa? O Denuvo parece tratado como um aluguel: fica enquanto a curva de vendas é íngreme e depois é devolvido em silêncio. Se for assim, o justo é exigir um compromisso, não uma surpresa. As publicadoras deveriam informar de início por quanto tempo a proteção ficará e removê-la num prazo sensato. Há ainda o ângulo da preservação: um jogo que depende de uma camada antiadulteração é mais difícil de manter jogável a longo prazo, e removê-la ajuda.

O que os jogadores devem fazer

Não encare isso como presente, e sim como precedente. Quando uma publicadora remover o DRM, diga isso, e pergunte à próxima por que seus jogos mais antigos ainda o carregam. Desconfie de benchmarks milagrosos e espere testes independentes que isolem a variável. E se você está decidindo quando comprar um jogo protegido por Denuvo, lembre que a versão que você receber um ano depois pode ser melhor, e mais limpa.

A Gearbox não admitiu nada em voz alta. Não precisava. Quem falou foi o patch.

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