PS5 vence Switch 2 em setembro por causa do aumento da Nintendo, não da força da Sony
A manchete diz que o console antigo da Sony está ganhando. Achamos que a Nintendo facilitou a vida do rival, e o fim de 2026 vai mostrar se a aposta foi esperta ou cara.
Foto: PlayStation / sala de prensa (uso editorial)
Um console de seis anos superar o lançamento mais badalado da década é sinal da força da Sony ou de um tropeço da Nintendo? Nossa aposta é na segunda opção. A versão arrumadinha da história, "o Switch 2 esfriou e o PS5 vence pelo catálogo", está em parte certa e em parte errada, de formas que importam.
O que os números de setembro realmente dizem
Segundo as estimativas mundiais do VGChartz, o PS5 vendeu mais que o Switch 2 em setembro de 2026. O VGChartz também informa que o PS5 vendeu mais que o Switch 2 nos EUA naquele mês, com as vendas de unidades do PS5 subindo 22% na comparação anual, enquanto o total de unidades de hardware vendidas nos EUA caiu 3%. No Japão, por sua vez, o Switch 2 continuou sendo o mais vendido, com 151.166 unidades.
Lembre-se de que são estimativas: o VGChartz diz que seus números costumam ficar a até 10% dos totais reais, e que os revisa com base em dados oficiais. Uma virada em um único mês é um dado, não um veredito.
Não é esfriamento, é (provavelmente) uma etiqueta de preço
Olhe um mês para trás. Em agosto, o VGChartz tinha o Switch 2 na frente, com 873.740 unidades contra 796.103 do PS5. No acumulado do ano até agosto, eram 7,81 milhões para o Switch 2 e 5,46 milhões para o PS5. A margem mensal era pequena, e o Switch 2 estava cerca de 20% abaixo do ano anterior, então não era uma disparada. Mas um console que vendeu cerca de 2,35 milhões de unidades a mais que o PS5 no ano até ali não parece estar perdendo o fôlego.
O que mudou entre agosto e setembro? Segundo o Tech Insider, o aumento de preço da Nintendo nos EUA, para US$ 499,99, entrou em vigor em 1º de setembro de 2026. O mesmo relatório diz que o PS5 havia levado uma surra dos seus próprios aumentos no início do ano: em maio, a Circana mostrava suas vendas de unidades nos EUA em queda de 58%, com preço médio pago de US$ 672.
Para ser claro, nenhuma fonte que temos liga o resultado de setembro ao aumento de preço. Essa é a nossa leitura, e achamos que é a mais plausível. O momento bate e o padrão parece familiar: a Sony absorveu a dor dos seus preços na primavera (do hemisfério norte), e a Nintendo talvez esteja absorvendo a sua agora. Nessa versão, o console da Sony não vence por ser irresistível. Vence num mês em que o rival colocou uma etiqueta maior na prateleira.
O segundo ano da Nintendo tem um problema de jogos
Há, porém, um fundo de verdade no argumento do "esfriamento". O The Game Business informou em janeiro que as vendas de fim de ano do Switch 2 nos EUA caíram cerca de 35% em relação ao que o Switch 1 conseguiu na mesma janela do seu ano de lançamento. Um funcionário sênior da Nintendo apontou um "cenário econômico complicado", preços mais altos e "a ausência de um grande jogo ocidental".
Esse último ponto nos parece o mais revelador. O primeiro ano do Switch 1 teve Super Mario Odyssey. Até aquele relatório de janeiro, a programação anunciada do Switch 2 para 2026 não tinha um peso-pesado próprio comparável. Um hardware que vende pela novidade no primeiro ano precisa de um jogo imperdível no segundo. Se a biblioteca ainda não tem um, aumentar o preço é uma aposta, e setembro pode ser o primeiro recibo.
Ainda assim, sem drama. A Nintendo disse que o Switch 2 tinha chegado a 23,68 milhões de unidades enviadas até 30 de junho de 2026, e o console lidera no Japão. É uma plataforma saudável que escolheu uma briga mais difícil.
O fim de ano é a prova de verdade
A pergunta que fazemos aos leitores é simples: quem se beneficia se os compradores forem sensíveis a preço e o calendário chegar a novembro? O PS5 tem um catálogo profundo e uma base instalada grande, que o VGChartz estima em 94,91 milhões de unidades vendidas no total até agosto. Ele não precisa empolgar, só estar disponível e ser familiar. O Switch 2 precisa de um motivo que justifique US$ 499,99.
Nossa opinião é modesta: o trimestre de fim de ano vai dizer se a queda de setembro foi um tropeço de um mês por causa do aumento de preço ou o início de uma tendência. Um único mês de estimativas não resolve isso.
Nosso veredicto
Se você está em dúvida se deve comprar: não leia isso como "o PS5 é o vencedor seguro". Leia como um mercado em que ninguém é barato. Compare os preços reais na sua região na hora da compra e pese mais os jogos que você quer do que o ranking mensal. Para a Nintendo, a lição é mais direta. Um aumento de preço só se sustenta se um grande jogo aparecer para justificá-lo. Até lá, a vitória do PS5 em setembro diz menos sobre o gênio da Sony do que sobre o quanto a margem de erro da Nintendo ficou estreita.
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