Os mods de Cyberpunk 2077 no console não são um patch: são uma jogada de plataforma
A atualização 2.5 coloca o mod.io no menu do jogo em PS5, Xbox e Switch 2. A volta por cima da CD Projekt Red não é mais sobre consertar um lançamento, e sim sobre dominar uma plataforma duradoura.
Foto: CD PROJEKT RED / Steam (uso editorial)
Um jogo ainda está sendo «consertado» quando a desenvolvedora entrega as chaves aos jogadores? É essa a pergunta que a atualização 2.5 de Cyberpunk 2077 responde sem alarde. A história de redenção que contamos há anos talvez tenha acabado. O que vem agora parece menos um pedido de desculpas e mais um modelo de negócio.
O que chegou
Segundo o The Verge, a atualização 2.5 chega em 22 de outubro e adiciona suporte a mods multiplataforma com o mod.io. Os jogadores podem navegar e instalar uma seleção de mods feitos pela comunidade no menu do jogo, em PC, Mac, PS5, PS5 Pro, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2. A CD Projekt Red diz que mais mods chegarão com o tempo. De acordo com as notas do patch, as versões da atualização para Switch 2 e Mac App Store chegam «nos dias seguintes».
Junto vêm conteúdos de Edgerunners (uma missão nova e uma estação de rádio), uma vantagem de empunhar duas armas para pistolas e revólveres e um controle deslizante de campo de visão (FOV) no console. O GamesRadar acrescenta que o menu de mods terá mods «adultos», segundo o desenvolvedor Paweł Sasko.
O menu de mods importa mais que as duas armas
O uso de duas armas vai render as manchetes, e a ligação com Edgerunners tem um timing esperto. Mas achamos que a verdadeira novidade é o menu de mods. Um navegador curado dentro do jogo é bem diferente do velho oeste que os jogadores de PC conhecem. É mais seguro, mais fácil e feito para quem jamais abriria um gerenciador de mods. Esse é o ponto: ele transforma o modding de um nicho de hobby em um recurso padrão.
Isso também diz algo sobre prioridades. O jogo está a quase seis anos de um lançamento conturbado, como lembra o The Verge, e o estúdio continua investindo nele. Mods são o jeito mais barato de manter vivo um RPG para um jogador sem produzir cada hora de conteúdo por conta própria. Nossa leitura: a CDPR aproveita o trabalho da comunidade para estender a vida do jogo, e a comunidade vai topar numa boa.
Há também um padrão. O GamesRadar enquadra o suporte a mods em console na linha de The Witcher 3 Remastered. Se esse for o modelo, apostamos que não é um gesto isolado, e sim uma fórmula: lançar o jogo, polir, depois abrir as portas e deixar o público cuidar da cauda longa. Se isso é generosidade ou só eficiência depende do seu humor e, sinceramente, pode ser as duas coisas.
A inclusão de mods adultos também merece uma segunda olhada. Ela indica que esse menu não quer ser uma vitrine higienizada e que a CDPR aceita deixar a comunidade definir parte da identidade do jogo. Achamos isso mais interessante que qualquer vantagem nova. É também a parte com mais chance de ser testada quando chegar o tráfego real.
Antes tarde do que nunca, com ressalvas
Os consoles esperaram muito, e é justo ficar um pouco azedo com isso. O controle de FOV é um bom exemplo. O Wccftech especula que a falta da opção se devia aos limites de PS4 e Xbox One no lançamento. É plausível, mas também mostra há quanto tempo os jogadores de console são cidadãos de segunda classe neste jogo.
Há incógnitas reais. As notas do patch, segundo o The Verge, não dizem quais mods estarão disponíveis primeiro. «Uma seleção» sugere filtragem, e um catálogo curado nunca vai se igualar à enormidade do que os jogadores de PC têm. Notamos ainda que, com Switch 2 e Mac App Store chegando depois das demais plataformas, a proposta multiplataforma não vale exatamente no primeiro dia para todos. É uma diferença pequena, mas pesa quando todo o argumento é sobre alcance.
O The Verge chama isso de primeiro passo no modding multiplataforma, e achamos que é a leitura certa. A infraestrutura é a notícia. O que vai preenchê-la, e com que rapidez, decidirá se isso vira uma plataforma ou só um item de menu.
Nosso veredito
Se você joga em console e deixou Cyberpunk 2077 de lado, a 2.5 é um motivo legítimo para reinstalar, principalmente pelo controle de FOV e pela promessa de uma biblioteca de mods crescente, mais do que pelo que existe hoje. Espere algumas semanas para ver o tamanho do catálogo antes de julgar a proposta de mods. Como estratégia, porém, é difícil criticar. A CD Projekt Red parou de pedir perdão faz tempo. Agora constrói algo a que os jogadores podem continuar acrescentando, e essa posição é bem mais forte que a redenção jamais foi.
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