Os 25 clássicos da EA são bem-vindos, mas promoção não é preservação
Road Rash, Wing Commander e Ultima voltam à Steam, à GOG e ao app da EA, mas uma promoção de lançamento não prova nada. O teste de verdade vem depois que o burburinho passa.
Foto: Electronic Arts / Steam (uso editorial)
Uma empresa consegue preservar sua história com uma promoção de lançamento? Essa é a pergunta incômoda por trás da grande jogada nostálgica da EA, e não acreditamos que a resposta seja um sim claro.
Primeiro, as boas notícias, e são muitas. A EA anunciou em 5 de novembro que vai levar 25 jogos clássicos de PC para a Steam, a GOG e o app da EA. Segundo o The Verge, sete deles são novas "Anniversary Editions": Road Rash e seis títulos de Wing Commander. Elas mantêm o visual e a intenção originais, mas acrescentam melhorias de praticidade para sistemas e controles modernos. Os demais, incluindo Ultima e Crusader, custam US$ 4,99. As edições de Road Rash e Wing Commander custam US$ 9,99.
A parte mais interessante é a origem de tudo. A EA diz que as edições foram inspiradas pela descoberta de um "cofre de mídias físicas" cheio de fitas Betacam, VHS e D1. Ao digitalizá-las, foram recuperadas as sequências FMV originais, que foram remontadas para restaurar mais de 1.500 cenas. O Metro observa que quem já tem os originais na GOG ou no app da EA recebe as Anniversary Editions como atualização gratuita. Ótimo.
O cofre é a verdadeira história, não a loja
Colocar executáveis antigos na Steam é fácil. Encontrar as fitas originais por trás das cenas de um jogo é o tipo de trabalho que realmente impede que um jogo se perca. Wing Commander e Road Rash dependem do FMV, e, na nossa opinião, as cinemáticas são metade da experiência. Recuperá-las é o que faz disso mais do que um relançamento.
Também damos crédito à EA por incluir alguns mods feitos pela comunidade nos jogos de Wing Commander, segundo o The Verge. Os fãs mantêm esses jogos vivos há anos, e reconhecer isso é inteligente e, francamente, já era hora.
Promoção de lançamento é evento de marketing, não promessa
Aqui entra o nosso ceticismo. O Videogames Chronicle descreve o lançamento como parte de uma "Restored Classic Sale". Promoções criam urgência. Preservação exige o oposto: disponibilidade sem graça e por tempo indeterminado. Um lançamento com preço promocional diz como a EA quer que o catálogo apareça esta semana, não como ele estará daqui a três anos.
O teste é simples, e sugerimos que os leitores o acompanhem. Esses 25 jogos ainda estarão à venda daqui a um ano? Receberão patches quando o Windows mudar de novo? O app da EA continuará funcionando para resgatá-los? Remoções silenciosas de catálogo são uma preocupação conhecida em toda a indústria, e não vamos fingir que sabemos os planos da EA, porque a documentação não diz. É exatamente por isso que falta uma promessa, e não um comunicado de imprensa.
Preços baixos também ajudam. A US$ 4,99, um jogo de Ultima é compra por impulso, e isso provavelmente dá ao catálogo a melhor chance de continuar visível. Mas preços baixos também facilitam que uma planilha corporativa decida um dia que a série não vale a manutenção.
A aposta da GOG na alma antiga é a jogada de longo prazo mais esperta
A GOG também anunciou a Retro Vibe, um braço de publicação de "novos jogos com alma clássica", segundo a manchete da IGN, e lançou sua própria versão de Road Rash. O encaixe é natural: a GOG é popular por portar jogos clássicos e lançar títulos sem DRM, então é a casa lógica para essa leva.
O Metro sugere que a jogada da EA é surpreendente diante de suas dívidas e da recente decisão de fechar a BioWare, e especula que um renascimento de verdade poderia vir por meio de Richard Garriott, com a EA apenas como publicadora. Essa é a leitura do Metro, não um fato confirmado, e a tratamos como especulação. Ainda assim, ela aponta para a pergunta real: é um lançamento nostálgico isolado ou o começo de um compromisso?
Nosso veredito: compre as edições de Road Rash e Wing Commander se você gosta delas e aproveite o trabalho de restauração. Mas não confunda aplauso com confiança. A EA merece crédito pelo cofre, e só merecerá mais se os jogos continuarem lá, funcionando e à venda muito depois de a promoção de lançamento ser esquecida.
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