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Lies of P 2 precisa ser mais do que um Mágico de Oz sombrio

As primeiras pistas da Neowiz indicam uma sequência que preserva o combate preciso e o estilo gótico, mas expande seu mundo, sistemas e identidade.

Publicado
21 de outubro de 2026
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Foto: NEOWIZ / Steam (uso editorial)

Uma sequência pode seguir o projeto do antecessor tão de perto que acaba esquecendo por que aquele projeto funcionava. Esse é o perigo diante do próximo RPG de ação da Neowiz: as primeiras evidências sugerem uma continuação cuidadosa de Lies of P, mas o verdadeiro teste será fazer essa familiaridade parecer evolução, e não repetição.

O projeto ainda não tem título oficial. “Wonders of O” é um possível nome ligado a uma marca registrada, enquanto a conexão com Oz vem do final secreto de Lies of P. Neowiz e Round8 Studio ainda não apresentaram oficialmente o título da sequência, sua janela de lançamento ou seu plano completo de gameplay. Ainda assim, uma vaga para Character Concept Artist oferece um vislumbre útil das prioridades por trás do projeto. Como relata a Console-Tribe, o anúncio menciona Unreal Engine 5, design detalhado de fases, ação intensa e uma ampla variedade de personagens, monstros, armas, trajes e acessórios.

Isso não é uma revelação. É um manifesto de design em miniatura — e, na nossa opinião, um manifesto promissor.

A escolha mais segura da sequência também é sua maior armadilha criativa

Lies of P conquistou sua identidade por meio da precisão. Seu cenário sombrio da Belle Époque, as criaturas mecânicas e o combate tenso não eram atrações separadas; eles reforçavam uns aos outros. O mundo fazia as lutas parecerem deliberadas, enquanto o combate dava ritmo e ameaça ao mundo. A sequência deve preservar essa relação, sem dúvida.

Mas preservar não é o mesmo que conservar. Se cada novo inimigo, corredor e chefe existir principalmente para recriar a sensação do primeiro jogo, a sequência se tornará um eco bem-acabado. A ênfase do anúncio em ação intensa e design de fases profundo sugere que a Round8 não está abandonando a fórmula. Isso faz sentido. O erro seria presumir que uma estrutura familiar automaticamente proporciona uma experiência nova.

A mudança para um cenário inspirado em Oz pode ajudar, desde que seja tratada como algo além de uma nova camada de tinta. O final secreto já abriu essa porta, e o possível título Wonders of O torna a teoria mais difícil de descartar. Porém, um universo literário diferente só importa se mudar o que o jogador faz, como os espaços se conectam e o que a história pensa sobre seus personagens.

Oz deve expandir as ideias do jogo, não apenas seu bestiário

Pinóquio deu a Lies of P um material especialmente rico para um soulslike: a tensão entre criador e criatura, o desejo de se tornar humano e a ambiguidade moral da mentira. Uma sequência inspirada em Oz tem suas próprias ferramentas temáticas, mas elas precisam levar a um lugar distinto.

A oportunidade não está simplesmente em trocar marionetes por bruxas ou ruas mecânicas por uma paisagem de fantasia mais colorida. Está em construir um mundo onde identidade, desejo e artificialidade funcionem de maneira diferente. Se a sequência trata de atravessar para um reino desconhecido, então seus sistemas devem tornar essa transição significativa. Exploração, relações entre personagens e progressão precisam expressar o novo cenário, em vez de apenas decorar outra sequência de arenas de combate.

É aí que as referências do anúncio a diferentes tipos físicos e a uma grande variedade de elementos visuais se tornam mais interessantes do que a promessa de gráficos de “alto nível”. Esses requisitos sugerem um vocabulário visual mais amplo para a sequência. Acreditamos que essa variedade será mais importante quando der suporte a facções, culturas e criaturas com propósitos diferentes — não quando virar uma lista de novidades de concept art.

Unreal Engine 5 só importa se o mundo fizer por merecer

Segundo o material de recrutamento, a sequência está sendo desenvolvida com Unreal Engine 5, e a vaga também indica desenvolvimento para PC e consoles. Esses fatos estabelecem a direção técnica, mas não garantem um jogo maior ou melhor.

Um ambiente maior não é automaticamente mais profundo. Na verdade, Lies of P se beneficiava de uma leitura visual forte: os jogadores conseguiam entender o clima de um local, a ameaça representada por um inimigo e o caminho através de um espaço sem que o mundo precisasse se tornar enorme. A sequência deve resistir ao reflexo da indústria de tratar escala como progresso.

Por isso, a expressão “design de fases profundo” é mais importante do que qualquer nome de engine. A melhor expansão seria um mundo com relações espaciais mais significativas: áreas que revelem diferentes lados do cenário, atalhos que mudem a maneira como um local é compreendido e encontros que exijam mais do que repetir a mesma resposta bem-sucedida. Se a Unreal Engine 5 ajudar a Round8 a criar espaços mais ricos, excelente. Se ela servir apenas para oferecer mais espetáculo entre lutas familiares, será um potencial desperdiçado.

A Neowiz está certa ao exigir jogadores que entendam o gênero

O detalhe mais revelador do anúncio pode ser a exigência de que os candidatos tenham jogado Lies of P por pelo menos 30 horas, apresentem uma comprovação desse tempo e tenham concluído pelo menos três soulslikes. A Uagna detalha essas exigências, junto da expectativa de que os candidatos realmente joguem e gostem de videogames.

Para um concept artist, essa exigência faz sentido. Entender o gênero significa compreender por que uma silhueta comunica perigo, por que o equipamento precisa parecer funcional e como o formato de um inimigo pode ensinar algo ao jogador antes mesmo do primeiro ataque. Também indica que a Neowiz sabe o que está tentando preservar.

Mas a fluência em um gênero pode se transformar em uma visão limitada por ele. A sequência precisa de desenvolvedores que entendam bem os soulslikes a ponto de desafiar seus hábitos, não simplesmente reproduzi-los. Suas ideias novas mais fortes podem nascer da tensão entre uma linguagem de combate familiar e um cenário que exija respostas emocionais e mecânicas diferentes.

É por isso que “Wonders of O” ainda não deve ser julgado como uma promessa de reskin de Oz. As evidências disponíveis são limitadas demais para isso, e o próprio título continua sem confirmação. O que elas mostram é um projeto que preserva os pilares que tornaram Lies of P reconhecível, ao mesmo tempo que busca uma base visual e técnica mais ampla.

Nosso veredito é de otimismo cauteloso: a Neowiz deve manter o combate exigente e a convicção gótica, mas precisa parar de tratar a comparação como destino. A sequência será bem-sucedida quando usar Lies of P como alicerce, não como uma jaula. Até o estúdio mostrar como seu novo mundo muda as regras, a expectativa mais inteligente não é “mais Lies of P”. É um jogo que prove que a Round8 entendeu por que o primeiro funcionou — e está disposta a construir além dele.

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